Três escolas municipais ganham biodigestores, que servirão para estimular a educação ambiental dentro e fora de sala de aula

As escolas de Ensino Básico Santo André, Stanislau Gaidzinski Filho e Vitório Marcon foram contempladas com um biodigestor de cada, em um projeto de educação ambiental do Ministério do Meio Ambiente – MMA, em convênio com o Consórcio Intermunicipal da Amurel (CIM/Amurel). Tubarão, com cinco biodigestores, e Sangão e Armazém, com um de cada, foram os outros municípios beneficiados.

A EMEB Santo André, por ter sido escolhida como projeto piloto teve o equipamento instalado por um técnico da empresa contratada para este fim e para treinar as pessoas que vão manusear os materiais.

A instalação aconteceu ontem (27), quando foram capacitados os técnicos de todos os municípios para que instalem nas suas unidades escolares. Hoje (28), diretoras de escola e outras pessoas convidadas receberam treinamento para operar o equipamento. A reunião também foi na escola Santo André.

O convênio envolve recursos na ordem de R$ 149,7 mil. Deste total, R$ 139 mil foram para a compra dos 10 equipamentos e R$ 9,7 mil para o treinamento aos usuários, instalação e suporte técnico aos biodigestores. O segundo valor foi a contrapartida dos municípios beneficiados.

Os recursos foram assegurados graças ao empenho do setor de convênios do CIM/Amurel, que identificou a existência do programa Escolas +Verdes, iniciativa do MMA, que tem o objetivo de promover a sustentabilidade nas escolas brasileiras. A iniciativa é realizada em parceria com Ministério da Educação (MEC), e visa promover ações de cidadania e educação ambiental, como a separação e tratamento de resíduos, reciclagem, logística reversa, reuso e eficiência no uso de água, eficiência energética e energias renováveis.

O edital do MMA previa a solicitação de até 10 biodigestores por proposta enviada, contemplando no mínimo quatro municípios. O edital era voltado apenas para consórcios públicos, o que é o caso do CIM/Amurel.

O projeto tem como propósito desenvolver atividades nas escolas municipais, com o objetivo de coletar resíduos orgânicos do refeitório para produção de biogás, que é utilizado nos fogões das escolas, e biofertilizante para reutilização na horta escolar, podendo ser doado também para a comunidade onde está inserida a escola. “Temos vários casos em que parte do biofertilizante foi doada a pais de alunos, que naturalmente ficam muito felizes com isso. Essa é uma maneira de envolver toda a família na educação ambiental e mostrar a ela a importância disso para a sociedade”, diz a Lilian Oliveira, da empresa Biomovent, vencedora da licitação para fazer treinamento aos usuários, a instalação e suporte técnico. 

Os municípios que à época, em 2022, manifestaram interesse em participar do edital foram Armazém, Capivari de Baixo, Sangão e Tubarão. O processo licitatório foi concluído em junho de 2023. Outros municípios manifestaram interesse na implantação de biodigestores posteriormente ao envio da proposta ao MMA. 

Todas as pessoas envolvidas no processo terão suporte técnico virtual em caso de dúvidas e necessidades.

De acordo com a empresa responsável pela fabricação do equipamento, a utilização de cerca de 10 kg de resíduos orgânicos vai resultar em uma produção de 5 a 7 horas de biogás a ser usado nas cozinhas escolares. O equipamento também produz biofertilizante altamente concentrado, que pode ser utilizado em diversos tipos de cultivo vegetal.

O meio ambiente e a educação

Escolas públicas ou particulares que adotem práticas de sustentabilidade podem requisitar o selo Escola +Verde. A certificação é um reconhecimento do Ministério do Meio Ambiente e um diferencial para estimular a educação ambiental dentro e fora de sala de aula.

A instalação de biodigestores traz uma abordagem prática e eficiente para a educação ambiental. Esta iniciativa desperta no aluno a preocupação em separar o lixo, em destinar corretamente o resíduo orgânico e o sólido.

Na primeira etapa, estão previstos R$ 100 milhões para a instalação de biodigestores em escolas, possibilitando a produção de biogás a partir de resíduos orgânicos. O biodigestor é um equipamento que produz, além do biogás, o biofertilizante líquido. Assim, cascas, sementes, bagaço de frutas e restos de legumes deixam de ir para o lixo comum e geram o combustível usado no preparo da merenda escolar, substituindo a compra de botijões de GLP. A estrutura do equipamento pode ser usada, ainda, para o tratamento de esgoto em escolas que ainda não têm saneamento básico.

 Segundo dados do Ministério da Educação, existem mais de 7.800 escolas sem acesso às redes de esgoto, a maioria delas na zona rural.

 As iniciativas sustentáveis, como o biodigestor, abrem espaço para a interdisciplinaridade, pois permite que educadores nas áreas de biologia, matemática, química, física e ciências possam abordar os assuntos de forma prática com seus alunos.